Correspondendo à segunda parte principal da carta, sobre judeu e gentio sob o juízo de Deus, 1.16–2.29, a unidade de 12.1–15.7 ressalta judeu e gentio juntos no serviço. Paulo não deixa a vida da graça sem detalhes de como ela pensa e age.

Paulo tem costume de dividir suas cartas em duas partes principais: a do ensino e a da prática. Em Romanos o capítulo 12 começa a parte sobre a prática. (Compare Efésios 4.1; Colossenses 3.1; 1 Tessalonicenses 4.1.)

Os versos 1-2 servem como introdução e resumo da prática do evangelho. A medida de fé que Deus dá nos oferece condições de considerar a própria vida de forma equilibrada e de servir uns aos outros conforme a sua graça, 12.3-8. Isso é feito pelo amor, que se manifesta de várias formas para abençoar as pessoas, 12.9-21.

Comentário de 12.1-2

Portanto. Deve-se ler esta partícula de conclusão como referência a tudo o que já veio antes. Ele faz seu apelo pelas misericórdias de Deus, assunto que tem desenvolvido na carta até o momento.

Irmãos. O apelo de Paulo se baseia na experiência comum como família de Deus. Em pontos importantes, ao longo da carta, o apóstolo fortalece os sentimentos familiares com o vocativo. Ver 1.13.

Rogo-lhes. O apelo que Paulo faz é intenso, mais do que mandamento, mas cheio de urgência e motivado pela ação de Deus para salvá-los.

Que se ofereçam. “Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça” Romanos 3.25a. O sacrifício de Cristo nos chama para nos oferecer, não como propiciação pelos pecados, mas como vidas para o serviço de Deus e para fazer toda a sua vontade. A NVI não traduz a palavra “corpos”, ao entender que o nosso corpo representa toda a nossa vida e ser.

Em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Na aliança mosaica, os animais eram mortos e depois queimados no altar. A nossa oferta consciente coloca toda a vida ao serviço do Senhor. Somos sacrifício santo por nos entregar a ele para ser propriedade particular dele, para seu uso exclusivo, por assim dizer. E somos sacrifício agradável a ele porque nos enquadramos dentro da sua vontade, não cumprindo nossos desejos mas o desejo dele.

“Ademais, é equivocada a intenção de muitos de esperar até a doença ou a velhice lhe chegarem antes de apresentarem seu sacrifício, pois tal conduta é análoga a apresentar a Deus o aleijado, o coxo e o cego” (McGarvey 1916, 488).

Este é o culto racional de vocês. Uma explicação do que significa ser sacrifício agradável a Deus. O serviço prestado a Deus é feito de forma inteligente, isto é, conforme a sabedoria divina e de acordo com as instruções dadas por ele.

“Muitos grupos religiosos têm ideias diferentes quanto ao que constiui ‘verdadeira espiritualidade’. Aqui, Paulo nos informa. Ser espiritual significa completa submissão à vontade de Deus. Se seu corpo não está obedecendo a Deus, então você não é espiritual” (Dunagan).

Não se amoldem ao padrão deste mundo. O mundo faz pressão enorme para que todos se enquadrem dentro do seu padrão. Mas é impossível seguir o padrão divino, a “forma de ensino” de Cristo, Romanos 6.17, e o padrão do mundo ao mesmo tempo. O padrão deste mundo se revela na conduta egoísta, nos hábitos destrutivos, no pensamento imediatista e nos valores materiais.

Mas transformem-se pela renovação da sua mente. Tudo começa na mente. Buscar a renovação da mente é pensar como Deus pensa, ser motivado pelas motivações espirituais, tomar decisões guiadas pelo Espírito Santo. O processo exige grandes esforços, constituindo uma cooperação com a obra de Deus na vida do justo. A transformação é interior e profunda, em contraste com a conformidade exterior ao mundo. Somos transformados à imagem de Deus, revelada em seu Filho, Romanos 8.29; 2 Coríntios 3.18. O novo homem “está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador” Colossenses 3.10.

Para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Temos que confiar a nossa vida a Deus para descobrir, por experiência própria, que sua vontade nos oferece todas as possibilidades de uma vida plena e completa com ele. “Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita” Salmo 16.11.