RESUMO. Usando o casamento como ilustração, Paulo lembra os romanos (provavelmente, os judeus convertidos em especial) que eles tinham morrido para a vida conforme a lei somente, e não estão mais obrigados a provar a própria bondade e nem observar a lei mosaica, 7.1-6. A luta contra o pecado que a lei provoca é impossível de ganhar, pois não há poder dentro da lei para isso, 7.7-25. Somente em Cristo há esse poder, vv. 24-25.

Comentário de 7.4

Vocês também morreram para a Lei. Eles não mantêm mais relação com o princípio de vida que procura a justificação por meio de lei. Ele estabeleceu isto no cap. 6.

Por meio do corpo de Cristo. Pelo sacrifício dele, 1Pe 2.24. Pelo corpo de Cristo vem a vida e a justificação; pelo nosso corpo, somos prisioneiros destinados à morte, vv. 23-24.

Para pertencerem a outro. Cristo nos comprou com seu sangue, At 20.28, e por isso somos agora dele, para viver conforme sua vida. Se agora pertencemos a Cristo, não podemos estar “casados” à lei. É impossível manter compromisso com a vida que procura a justificação pelo princípio de lei.

Àquele que ressuscitou dos mortos. Assim Paulo identifica Cristo como o “outro”. Em Cristo o cristão tem vida, pois a experiência do seguidor é a mesma do seu Senhor. A questão do capítulo é a fonte do poder para vencer contra o pecado que se manifesta pela lei. Aqui, Paulo já o revela.

A fim de que. Expressão de propósito da vida do seguidor de Jesus. Pertencemos a ele por um motivo bem definido e específico. Nas Escrituras há muitas expressões dessa natureza que merecem uma meditação cuidadosa. Ver Gl 2.9.

Venhamos a dar fruto para Deus. O fruto é resumido na justiça ou na imitação de Cristo. Tornamo-nos como ele, a fim de vivermos com ele. Nessa imitação, vivemos não somente em comunhão e na intimidade com ele, mas também na partilha da sua missão de salvação. Não há como separar os dois.

Notas

Muitos debatem se o cap. 7 se refere à pessoa fora de Cristo, ao seguidor imaturo ou aos discípulos em geral. Entendemos que Paulo está aqui tratando dos judeus convertidos que ainda procuram ser justificados pela lei. Não há possibilidade de fazer isso se em Cristo temos a nossa justificação. Por extensão, este princípio ainda se aplica hoje, para quem, por influência de religiões não bíblicas (chamadas ou não de cristãs), faz obras de mérito como meio de buscar a aprovação de Deus.