RESUMO. Depois de tratar sobre a salvação pela graça, Paulo antecipa um argumento: se somos salvos pela graça, por que não continuar pecando para que multiplique-se a graça? Ele mostra aos cristãos romanos que, pela sua própria experiência na imersão, o pecado foi vencido e não tem mais papel ou influência na vida em Cristo, 6.1-14. Nesta experiência, eles se entregaram para servir à justiça de Deus, e não ao pecado, 6.15-23.

Comentário de 6.17

Graças a Deus. A palavra graça tem uma variedade de sentidos no Novo Testamento. O mais conhecido é o da graça salvadora, usado principalmente por Paulo para expressar a bondade de Deus que salva a humanidade baseado no sacrifício de Cristo e não por tentativas humanas de provar sua dignidade. Aqui, no meio de um texto sobre a graça neste sentido da salvação, Paulo usa o termo em outro sentido, para expressar a sua gratidão ao Senhor pela salvação dos romanos e por terem escapado da escravidão do pecado.

Tenham sido escravos do pecado. Esta foi a situação dos romanos antes de sua imersão na água pelo perdão dos pecados. A gratidão de Paulo não é que tinham sido escravos do pecado, mas que agora obedeceram à Boa Nova.

Passaram a obedecer. Alguns iam esperar ver aqui o verbo crer, mas para Paulo não há conflito entre os dois. A obediência ao ensino de Cristo não é a mesma coisa que praticar obras de mérito. Muito pelo contrário! Para livrar-se do pecado é necessário obedecer algo além dele (Dunagan).

De coração. Toda e qualquer ato de obediência tem de ser uma expressão do desejo e do compromisso do interior do ser humano. No sistema de Cristo não existe sacramento que tenha eficácia sem o coração estar ciente e compromissado.

À forma de ensino. Desde o início, Deus deu aos homens um padrão de ensino e de prática a ser seguido. Seguir outro padrão significa desobediência a Deus. O termo grego typos indica modelo, molde, imagem, fórmula, impressão. Aqui tem o sentido de um ensino padronizado, cujo conteúdo tem sido determinado e que é necessário ensinar e seguir. Hoje, o Novo Testamento nos serve de modelo ou padrão do ensino de Cristo.

Que lhes foi transmitida. Ou, “a que foram entregues” como escravos. No primeiro sentido, indica a fidelidade com que o ensino foi passado. O termo é quase uma expressão técnica para a tradição apostólica recebida por Jesus. No segundo sentido, eles se entregaram a este ensino, tendo assumido o compromisso de preservá-lo e observá-lo em todas as coisas.

NOTAS

O verso 17 declara o resultado da obediência: “Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça”. Sua obediência os levou à justiça, v. 16, isto é, a uma situação correta perante Deus. Estes versos dentro do livro de Romanos demonstram o papel essencial da obediência e expõe a doutrina da salvação pela fé somente como uma invenção humana.