RESUMO. Paz com Deus e reconciliação parecem marcar o início e o fim de 5.1-11, além dos conceitos de se gloriar. O nome de “nosso Senhor Jesus Cristo” também marca o texto, vv. 1,11. Paz não é apenas interior, mas é com Deus. Esta é a definição da reconciliação. Antes, no seu estado de pecador, o homem estava destituído da glória de Deus; agora, ele tem esperança dela. Gloriar-se na esperança da sua glória inclui também as tribulações, pois estas conduzam àquela. Ao longo do trecho de 5.6-11 a iniciativa divina é ressaltada pela progressão de Deus agir enquanto ainda éramos fracos, 6, pecadores, 8, e inimigos, 10.

Em 5.12-21, Paulo faz contraste entre um só homem por quem vieram o pecado e a condenação (Adão) e um só homem por meio de quem veio a dádiva da justificação. A dádiva é muito superior ao pecado. Alguns veem as frases: “imensa provisão da graça” e “dádiva da justiça”, como os elementos centrais do trecho.

COMENTÁRIO DE 5.5. Quem confia em Cristo não ficará decepcionado. Sua esperança não morrerá. Isso porque o amor de Deus sempre está se manifestando, não somente em atos exteriores, mas em nossos corações. Seu amor efetua transformação poderosa e duradoura em nosso interior. O verbo derramar indica copiosa e contínua demonstração do seu amor. Tudo ocorre por meio do Espírito Santo, que é o selo e garantia da nossa esperança. O Novo Testamento estabelece que ele habita em nossos corações. Conforme a passagem maior, sua presença em nós não é conquista nossa mas sim dádiva do Pai, porque ele nos concedeu.

NOTA. O amor de Deus e a presença do Espírito não se fazem presente de forma automática nem se encontram no homem de forma inerente. O tempo do verbo conceder indica um momento específico do passado, provavelmente uma referência à imersão na água, Atos 2.38, quando se recebe a dádiva do Espírito Santo. Assim, o movimento para tudo o que é bom no ser humano é de fora (da parte de Deus) para dentro (no coração humano). A filosofia atual procura primeiro descobrir no coração humano alguma verdade, poder ou motivo pela vida, como se estes habitavam nele naturalmente. Contudo, o ser humano tem de procurar fora de si por estes, pois do seu coração somente sai o mal: “Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos (…)”  e todos os males, os quais os tornam impuros, Marcos 7.20-23.