RESUMO. A igualdade do ser humano perante Deus leva Paulo a fazer, em Rom 4, um argumento que destrói por completo o orgulho que os judeus tinham em ter Abraão por pai. Como a promessa de Deus e a fé de Abraão vieram antes da circuncisão, isso garante o acesso aos gentios. Assim alguém pode ter a fé salvadora separadamente de ter obrigação para com a lei da aliança. A experiência hoje pode ser a mesma de Abraão. Desta forma, ele se torna pai de todos os que creem.

COMENTÁRIO DE 4.6. A justificação por Deus não vem por meio de provas humanas, pelas obras de mérito. Se fosse assim, não precisaria do perdão. Esta posição é confirmada por Davi, mesmo no Antigo Testamento, pois ele escreveu a respeito da mesma coisa que Paulo afirma agora. Ao judeu seria surpreendente Paulo afirmar que Deus justifica o ímpio, pois cria na justificação do justo. Mesmo o apóstolo se referindo ao pecador arrependido, sua afirmação não agradaria ao judeu. (Lembre-se da parábola que Jesus conta do fariseu e do publicano no templo.) Então, ao citar Salmo 32.1-2 nos vv. 7-8, Paulo foca no perdão e na consequente felicidade. Isso mostra que a justiça da parte de Deus é dada independente de obras de mérito. Se a salvação fosse pelas obras, o homem não ficaria feliz pelo perdão, mas sim satisfeito com seu desempenho.

NOTA. Deve-se notar que o judeu tentou usar a lei de forma errada. A aliança mosaica era um sistema de perdão por meio de sacrifícios. Alguns judeus a tornaram em sistema legalista, isto é, meio de ganhar a aprovação de Deus pelas obras praticadas, só que estas eram obras que faziam parte da lei. Torceram assim o propósito da lei. Pela citação de Davi, Paulo mostra o verdadeiro intuito da lei — trazer ao homem o perdão.