RESUMO. O judeu tem vantagens, mas isso nada adiantou para ele. Deus é justo em tudo o que faz, inclusive no juízo contra os seres humanos, Rom 3.1-8. Depois de mostrar que tanto pagão quanto judeu está perdido no seu pecado, Paulo cita uma série de textos do Antigo Testamento e chega à conclusão de que “não há ninguém que faça o bem” 3.9-20. Em contraste com a tentativa humana de ser declarado justo pelas obras da lei, agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, 3.31-31. O agora é Jesus.

COMENTÁRIO DE 3.22-23. Na justiça de Deus é ele quem torna o homem correto perante ele. O homem não pode produzir obras suficientes e suficientemente boas para ganhar a aprovação divina. Mas o homem não está sem ter uma resposta à oferta da salvação, pois ele age mediante a fé, termo este que resume, para Paulo, toda o processo da obediência, 1.5; 16.26. Esta fé tem como foco entrar em Jesus Cristo para ter com ele relação e manter-se nele onde há salvação. Todos são iguais na sua necessidade e, neste sentido, não há distinção, pois todos pecaram. Não há nenhuma herança do pecado de Adão, não é, aqui, efeito da Queda do primeiro homem, mas sim o ato de pecar da parte de cada um. Quando os homens pecam, a consequência é que continuam destituídos da glória de Deus, isto é, ou longe da sua “gloriosa presença” (NTLH), ou do “padrão da glória de Deus” (NVT), sobremodo excelente e perfeito. “(…) não há, absolutamente, nenhuma diferença entre os melhores e os piores dos homens” (JFB). Jesus, porém, serve como “sacrifício para propiciação” 24, satisfazendo assim a necessária ira divina, 1.18.

NOTA. Uma das poucas infelicidades da NVI se encontra neste capítulo, pois a versão verte a frase original: “obras da lei”, como “obediência à lei” 3.20, 27-28. Demonstra novamente a confusão protestante entre obras e obediência, neste caso, especificamente, aplicada à lei de Moisés. A doutrina protestante da salvação pela fé somente, doutrina esta que remonta a Lutero, cega os olhos dos evangélicos para que não vejam a diferença entre uma tentativa humana, como fizeram os judeus, de ganhar a própria salvação pelas obras e de receber como dádiva a salvação pela fé e obediência, demonstrada repetida e consistemente em todo o Novo Testamento.

A que extremos os protestantes vão para evitar a admissão da necessidade da obediência para a salvação se vê na tradução de Atos 2.38 pela NVT:

Pedro respondeu: “Vocês devem se arrepender, para o perdão de seus pecados, e cada um deve ser batizado em nome de Jesus Cristo. Então receberão a dádiva do Espírito Santo”.

Neste verso, a frase: “para o perdão de seus pecados” é miraculosamente transportada da sua posição original, depois da menção do batismo, para antes. Nenhuma outra versão bíblica faz isso, em toda a história, pelo que se sabe. A mudança foi feita unicamente por questão doutrinária, que modificou o texto bíblico para concordar com a doutrina protestante. (Ver a revista Edificação [dez 2016]: 22.)