Fui convidado há algum tempo para palestrar sobre o tema: “Ninguém é perfeito”. Embora não fosse possível aceitar o convite, o tema é sugestivo e encaixa com a pergunta que recebi hoje: O que seria uma igreja perfeita?

A maioria das pessoas logo corre para dizer: Mas ninguém é perfeito, então, nenhuma igreja é perfeita. Mas o que diz o Novo Testamento?

O conceito “perfeito” no NT

No Novo Testamento, o termo “perfeito” não é usado como nós o usamos, no sentido de estar sem pecado. O termo significa estar completo ou maduro. Isso fica claro quando o Novo Testamento afirma que até se submeter ao sofrimento, Jesus não era perfeito! Ele tinha de ser aperfeiçoado na obediência (Heb. 2:10; 5:8-9; 10:14).

Por isso, a tradução de Mateus 5.48 nos engana: “Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”. Logo, pensamos ser uma impossibilidade isso, mas é um mandamento de Cristo. Ele ordena, então, algo que desde o início seja inatingível? É apenas um ideal, como dizem alguns, que devemos nos esforçar a alcançar, sempre sabendo que nunca atingiremos?

Pelo contrário, dentro do contexto, Jesus quer que nosso amor seja tão completo, ou abragente, como o amor do Pai, que ama bons e maus, amigos e inimigos. A tradução do Vidigal (hoje chamada a Bíblia de Aparecida), portanto, perde o sentido quando verte assim: “Numa palavra, o ideal é ser perfeito como o Pai celestial é perfeito”. O termo “ideal” não aparece no texto e acaba sendo uma inserção dessa ideia dentro do texto.

O verso de Mateus 5.48 serve de exemplo de como pensamos mal sobre o conceito da “perfeição”.

Temos de ser perfeitos

Hoje em dia, o conceito da impossibilidade da perfeição é jogado como objeção quando se fala da necessidade de seguir o padrão ou modelo do Novo Testamento, que Jesus nos deixou. A lógica segue algo assim: Ninguém poderia seguir perfeitamente algum modelo deixado para nós, então, a ideia de existir um modelo tem de ser errada.

O Novo Testamento apresenta outra visão. Temos de ser perfeitos, isto é, completos e maduros. Devemos, por exemplo, ser perfeitos, ou maduros, no “modo de pensar” (1 Cor. 14.20 NVI).

Paulo afirma que de fato existe cristãos “perfeitos”: “Pelo que todos quantos somos perfeitos tenhamos este sentimento; e, se sentis alguma coisa de modo diverso, Deus também vo-lo revelará” (IBB).

Veja a tradução da NVI desse versículo: “Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá”.

Portanto, pode existir sim a “igreja perfeita”, quando a igreja é madura e desenvolvida nas coisas de Deus.

O argumento dos progressistas

E o argumento dos progressistas (os que vão além do ensino cristão), de que, como ninguém é perfeito, fica impossível de existir um padrão para a igreja no Novo Testamento?

Supostamente, a dificuldade se encontra em dois pontos: em entender qual seja o padrão, e em cumpri-lo totalmente.

A primeira dificuldade presume que Deus não é capaz de nos comunicar a sua vontade. A segunda presume que seu poder não é suficiente para nos capacitar no pleno cumprimento dela.

Os progressistas também pensam que a lei de Deus é como a do homem: complicada a tal ponto a ser impossível a compreender e cumprir. Mas o mandamento do Senhor é impressionante na sua simplicidade. Não é difícil de entender, e “os seus mandamentos não são difíceis de obedecer” (1 João 5.3 NTLH).

O fato de existir igrejas que praticam de modo errado a piedade não significa que seja impossível cumprir a vontade de Deus. Um filho que desobedece não significa que todos desobedecerão, ou que seja impossível obedecer.

Por trás disso

Por trás dessa tentativa de negar a existência do modelo bíblico é o desejo de seguir as próprias paixões ou de ser aceito por aqueles que seguem outro caminho. A pressão é grande de se conformar aos moldes religiosos da sociedade., de aceitar outros que dizem seguir Jesus como Senhor, de inserir no meio dos mandamentos divinos as preferências pessoais. Contudo, sempre tem sido assim desde o início e assim continuará até o retorno de Cristo.

Enquanto isso, os que reconhecem a essencialidade de seguir o modelo do Novo Testamento o farão com gratidão de ter em suas mãos o Caminho pelo qual Deus os conduzirá até os céus eternos.

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