Como ensinar a palavra de Deus? Felizmente, a própria Bíblia nos revela não somente o conteúdo, mas o processo do ensino. O exemplo do autor de Hebreus serve também para nós hoje.

Não se sabe quem escreveu o livro aos Hebreus, mas uma coisa é certa: ele conhecia seus leitores e entendeu o processo do ensino.

Nos capítulos 6-8, encontramos três princípios para comunicar as verdades divinas que devem ser usados hoje: confiança, silêncio e modelo.

#1. Confiança (6.9-12)

9  Porém, ainda que falemos dessa maneira, meus queridos irmãos, estamos certos de que vocês têm as melhores bênçãos que vêm da salvação. 10  Deus não é injusto. Ele não esquece o trabalho que vocês fizeram nem o amor que lhe mostraram na ajuda que deram e ainda estão dando aos seus irmãos na fé. 11  O nosso profundo desejo é que cada um de vocês continue com entusiasmo até o fim, para que, de fato, recebam o que esperam. 12  Não queremos que se tornem preguiçosos, mas que sejam como os que crêem e têm paciência, para que assim recebam o que Deus prometeu. (NTLH)

O autor tinha confiança de que seus leitores não iam cair ao longo do caminho, mas que iam acertar seus erros e demonstrar perseverança. Ele pensou o melhor a seu respeito.

Ao invés de xingar, apenas, ele apresenta os argumentos pela superioridade de Cristo e traça para os leitores o alvo para o qual devem se esforçar. Ele mostra o caminho.

Sua confiança estava não somente nos leitores, como também na obra de Deus na vida deles.

No nosso ensino, devemos ter confiança de que alguns responderão de maneira positiva à mensagem. Sejamos otimistas quanto ao poder da palavra de Deus para atingir as pessoas.

#2. Silêncio (7.13-16)

13  E o nosso Senhor Jesus, a respeito de quem são ditas essas coisas, pertencia a outra tribo. E nenhum membro dessa tribo jamais serviu como sacerdote. 14  É sabido que, por nascimento, Jesus, o nosso Senhor, pertencia à tribo de Judá, e Moisés não disse nada dessa tribo quando falou a respeito de sacerdotes. 15  E tudo isso se torna bem mais claro, pois surgiu um sacerdote diferente, parecido com Melquisedeque. 16  Ele não foi feito sacerdote pelas leis ou regras humanas, porém se tornou sacerdote por meio do poder de uma vida que não tem fim.

Quando diz que “Moisés não disse nada” a respeito da tribo de Judá, a qual pertencia Jesus, o escritor entende que somente as tribos especificadas podiam servir como sacerdotes na religião judaica. Quando a Bíblia não diz nada a respeito de determinada opção, ao mesmo tempo que existe uma especificação no assunto, o silêncio é proibitivo. É isso que significa “não ir além do que está escrito” (1 Cor. 4.6).

Deus não deixa ao critério humano como adorá-lo e servi-ló. Ele é bem específico. Devemos falar onde a Bíblia fala e nos calar onde a Bíblia se cala.

#3. Modelo (8.5)

O trabalho que esses sacerdotes fazem é, de fato, somente uma cópia e uma sombra do que está no céu. Foi isso que aconteceu quando Deus falou com Moisés. Quando Moisés estava para construir a Tenda, Deus disse: –Tenha cuidado para fazer tudo de acordo com o modelo que eu lhe mostrei no monte.

Toda a palavra de Deus trabalha em cima do conceito do modelo. Para começar, o ser humano foi criado “à imagem de Deus”. A ele foi dado, em todas as eras, um modelo a seguir na adoração e no serviço a Deus. Os mandamentos divinos e os exemplos do povo de Deus fornecem o padrão de vida e de trabalho.

Paulo, por exemplo, escreveu a Timóteo com o propósito de mostrar esse modelo para a igreja: “esta carta vai lhe dizer como devemos agir na família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é a coluna e o alicerce da verdade” (1Tm 3.15). Era um mapa de trabalho para Timóteo e para toda a igreja.

À igreja em Roma, Paulo escreveu:Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida” (Rm 6.17 NVI). A obediência ao modelo ou padrão (o significado de “forma” aqui) é o meio pelo qual deixamos de ser escravos do pecado para tornar-nos escravos da justiça. O negócio é sério!

Conclusão. Estes princípios não são apenas boas ideias para se usar no ensino; são princípios essenciais, pois fazem parte da revelação divina de como se deve entender e transmitir a verdade sobre a salvação. Sejamos, portanto, fiéis no ensino, como foi o autor de Hebreus.