de Charles Hodge

Há alguns anos atrás, irmãos repassaram a idéia de que toda a vida é adoração. “Temos que aprender a pensar em conceitos”, diziam. Se Deus é Deus – e ele é – então, o homem pode fazer apenas uma coisa – adorá-lo. Nossa vida é uma vida de adoração.

Mas a partir do livro de Gênesis, com Caim e Abel e continuando até o Apocalipse, o qual é nosso trailer do céu, a adoração sempre tinham um designado tempo, forma e ação. Deus sempre ficou claro sobre como queria que as pessoas o adorassem. Pergunte a Caim, Nadabe e Abiú ou Uzá. A adoração é única, especial, diferente.

Há tempo eu digo que o canudo universitário deve incluir no seu currículo a leitura e a lógica. Temos que aprender a ler e pensar, e temos que aprender a debater! Sem poder pensar e debater, os irmãos compram mais do que conseguem pagar.

O ronco não é adoração, seja na igreja, seja na cama. Os privilégios de banheiro são necessários, saudáveis e bons, mas não se deve confundir isso com a adoração. O que se faz no banheiro não corresponde à reunião de Jesus conosco em assembléia na mesa do Senhor (Mateus 26.26-29, 1 Coríntios 10.16-21, 11.20-26). A ceia do Senhor é única, especial e diferente.

Vivemos uma vida de oração. Porém, Lucas registra que Jesus parou de orar (11.1). Paulo orou urgentemente para a retirada de um espinho (2 Coríntios 12.7-9). Um senador é, diariamente, um senador. Até mesmo tem título de senador depois de deixar a função. Mas somente no Senado, quando o martelo inicia a sessão, é que ele age plenamente como senador. Um marido e mulher são sempre casados, mas há algo especial no que a Bíblia chama de “o leito conjugal”. Isto é algo que não compartilham com ninguém. Mesmo assim, alguns irmãos concluem: “A única hora que não se adora é quando a igreja se reúne para adorar!”

Tem que haver algo especial na assembléia dominical. Willy Rordoff o disse melhor: “Nenhum dia do Senhor sem a ceia do Senhor; nenhuma ceia do Senhor sem o dia do Senhor”. Sobre o debate da assembléia da igreja, é preciso fazer e responder três perguntas:

(1) Reunia-se a igreja no primeiro século?

Pense. Nenhum grupo social pode existir sem se reunir. Os pecadores são chamados para sair do pecado a fim de ser acrescentados à igreja (Atos 2) e ser o corpo (1 Coríntios 12). Somos chamado para a comunidade-assembléia. Deus não quer que sejamos cristãos solitários. Deus não dá à luz órfãos. A igreja do primeiro século se reunia (Atos 2.42, 20.7). Os cristãos não devem abandonar tal assembléia (Hebreus 10.25). Obviamente, a igreja do Novo Testamento se reunia.

(2) Quando se reunia a igreja?

Na terça-feira? Na sexta? Pergunte qualquer homem na rua quando se reúnem os mulçumanos (sexta-feira), os judeus (sábado) ou os cristãos (domingo). Os sabatistas não têm apoio nenhum! No sábado Jesus era um cadáver. O sábado era para o judeu (Deuteronômio 5.1-5). Nenhum registro bíblico ou histórico nos informa que os cristãos do Novo Testamento tornassem especial o dia de sábado. Jesus ressurgiu no primeiro dia da semana (Marcos 16.9) e a igreja começou no Pentecoste (Atos 2, o primeiro dia). A igreja ofertava no primeiro dia (1 Coríntios 16.2). Os discípulos poderiam “guardar em casa” seu dinheiro qualquer dia! A cristandade se reúne no domingo!

(3) O que faziam enquanto reunidos?

Eles não se reuniram para fazer nada! Adoração significa que você faz alguma coisa. Você vai para adorar, reúne-se, faz algo, pára, despede-se, depois volta para casa. Se isso não é adoração, o que é? Agora, há irmão que dizem: “Não fazemos idéia como a igreja adorava”. Se não sabemos, então, não faz diferença. Vale qualquer coisa? É bíblica a música hard-rock? Bíblica a bebedice não é (1 Coríntios 11). Não se encontra nas Escrituras a palavra “trindade”, mas é óbvia a “Deidade”. Tampouco se encontra nas Escrituras a palavra “providência”, mas ela é óbvia. Por esta mesma lógica sem idéia, nem sabemos o que fazer para ser salvo! Nenhuma página bíblica explica 1-2-3-4-5! Será que não se tem idéia sobre a salvação? Podem os pecadores serem salvos como querem?

Algumas coisas específicas de fato não sabemos: usavam os primeiros cristãos um hinário, e veio primeiro ou por último a ceia do Senhor?

O que faziam, porém, é óbvio? (1) Eles estavam dentro da Palavra. A palavra torna possível a adoração. Você afirmaria que a Bíblia é fora do lugar na adoração? (2) Eles oravam (Atos 2.42, 4.31). Você condenaria a oração na assembléia? (3) Eles cantavam. Somente os cristãos podem cantar. (4) Eles observaram a ceia do Senhor (1 Coríntios 10, 11). É isso que faziam! Onde está a lógica das Escrituras para o que você quer fazer?