Nota: achei este texto enquanto buscava por outra coisa. Talvez lhe seja útil …

Pergunta: “Poderia o Universo ser criado por Deus em seis eras e não seis dias?”

Resposta: Quando se pensa no poder de Deus, tudo é possível, além, é claro, negar sua própria natureza. (É impossível Deus mentir, por exemplo, pois ele é verdade.) Então, seria teoricamente possível Deus criar o universo em seis eras? Sim, com toda a certeza.

Agora, a pergunta provavelmente se refere ao relato da criação de Gênesis. O leitor quer saber, imagino, se seria possível entender da narrativa de Gênesis que o universo foi criado em seis eras e não seis dias.

Esta questão é de especial interesse hoje em dia, pois a posição da criação do universo em seis eras de milhões ou bilhões de anos permite ao cristão, supostamente, encaixar no relato de Gênesis a teoria da evolução.

Primeiro, é preciso notar que a evolução é e sempre tem sido nada mais do que uma teoria, esta, por sinal, que está sendo questionada e abandonada por cada vez mais cientistas. A tentativa de mesclar a história da criação e a teoria da evolução não agrada nem evolucionistas nem cristãos, de um modo geral.

Outro problema com a teoria dos dias de Gênesis como eras é a criação pela palavra de Deus. A narrativa de Gênesis 1 apresenta a criação como uma série de palavras do Criador e a subseqüente existência da coisa criada. Quanto tempo levou para Deus falar e a coisa vir a existir? O relato dá a entender que o processo foi imediato, da mesma forma que Jesus falava para alguém ser curado e imediamente a pessoa ficava boa.

“Disse Deus: ‘Haja luz’, e houve luz” (Gn 1.3).

A simples afirmação trouxe a luz a existir. Quanto tempo demorou entre a palavra e o ato completo? A impressão que se tem é que logo que Deus falou, a coisa aconteceu. De fato, este é o padrão de todo o relato da criação. Ocorre umas cinco vezes o refrão: “E disse Deus: (…) E assim foi”.

Pode ser que alguém queira interpretar tudo isso de forma simbólica. Paulo, porém, não permite fazê-lo, pois afirma que foi “Deus que disse: ‘Das trevas replandeça a luz'” (2Co 4.6).

Parece também que o salmista assim entende a criação imediata pela palavra de Deus: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo surgiu” (Sl 33.9).

Os problemas na tentativa de reconciliar a evolução e a criação são tantos, que a tornam impossível. Um pequeno exemplo deve ser suficiente. (Para uma relação das dificuldades, veja Roger E. Dickson, The Dawn of Unbelief [J. C. Choate Publications, 1997], págs. 143-152.) Por exemplo, Gênesis 2.7 afirma que Deus criou o homem, não de um ser anterior e inferior, mas “o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente”.

Embora seja correto que o termo “dia” (o termo hebraico é yom) é usado em certos contextos para falar de um período maior do que 24 horas, seu uso em Gênesis 1 é descrito em termos bem específicos: “Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia” (v. 5). Sem exceção, todos os outros dias da criação são assim descritos. Vale lembrar que os judeus contavam o início do dia a partir do pôr do sol; por isso, o início do dia com a tarde. É impossível, portanto, entender os dias de Gênesis em outro sentido, a não ser em termos de um dia normal de 24 horas.

Este entendimento é reforçado por Êxodo 20.11, versículo esse que explica a base da observação do sábado: “Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou”.

Além do mais, quando o termo yom, dia, aparece com um número (primeiro dia, quarto dia, etc.), ele sempre é entendido como período de 24 horas. Não existe exceção à regra, quando “dia” é modificado pelo adjetivo numérico.

A evidência do próprio texto sugere que o termo “dia” em Gênesis 1 só pode ser entendido como período de 24 horas. Textual, teológica e filosoficamente, portanto, não há apoio bíblico para a teoria da evolução.

[Para mais leitura: Clyde M. Woods, “Prólogo: A criação”, em Edificação, junho de 1994, págs. 6-7.]