de Randal Matheny

A graça é de graça ou não é graça nenhuma (ver Romanos 11.6). Não há nada que podemos fazer para merecer a graça de Deus. Nenhum ato nosso obrigará o Senhor a nos conceder a salvação. “O dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23; ver 3.24). Assim todos só podem ser salvos pela graça de Jesus Cristo, seja judeu, seja gentio (Atos 15.11), marido ou mulher (1 Pedro 3.7), pois a sua morte foi ato da graça (Hebreus 2.9).

No sentido que é usado no Novo Testamento quando aplicado à salvação, o termo “graça” significa favor ou dádiva imerecida. Algo que é dado, não porque o destinatário (o ser humano) merece, mas porque o doador (Deus) deseja compartilhar. A graça descreve a benevolência do Deus que deseja dar à humanidade a bênção da sua presença. Ela nos aproxima de Deus (Hebreus 4.16).

A graça não invade a alma sem perceber, não cai do céu no colo sem pedir. A graça é transmitida por meio de uma mensagem, a boa nova (Atos 14.3; 20.24, 32) que é ouvida e entendida (Colossenses 1.6). A graça tem que ser acessada e a porta de acesso é a fé (Romanos 5.2; Efésios 2.4-10), fé essa, aliás, que não é mero consentimento ou processo mental, mas “fé que atua pelo amor” (Gálatas 5.6). A fé tem que ser cercada pelo amor, pelo serviço e pela perseverança para suscitar o elogio de Cristo (Apocalipse 2.18). Deus dá graça apenas aos humildes (Tiago 4.6; 1 Pedro 5.5).

A graça é grande o bastante para cobrir qualquer pecado (Romanos 5.20-21), desde que se arrepende e abandone o pecado (6.1ss), e suficiente para toda e qualquer fraqueza (2 Coríntios 12.9). Deus nos concede graça maior do que qualquer demanda ou exigência pelo seu serviço exclusivo. (Tiago 4.6).

É necessário continuar na graça de Deus (Atos 13.43), pois é possível cair da graça quando se separa de Cristo (Gálatas 5.4). Quer dizer, podemos perder a graça de Deus de forma a perder a vida eterna. Desta forma, recebe-se a graça de Deus em vão (2 Coríntios 6.1; cp. 1 Coríntios 15.10) e ela é anulada (Gálatas 2.21). É possível se excluir da graça de Deus (Hebreus 12.15).

Existe a “verdadeira graça de Deus” (2 Pedro 3.18), o que sugere que alguns pregam uma falsa graça, como a libertinagem que vira as costas para o santo mandamento do Senhor (2 Pedro 2; Judas 4) e nega a necessidade da obediência para a salvação (Hebreus 5.9).

A graça dá sabedoria para poder falar verdade que edifica (Romanos 12.3; Efésios 4.29). Ela equipa o corpo de Cristo para seu serviço (Romanos 12.6; 1 Coríntios 3.10). A graça orienta, motiva e habilita a conduta simples e sincera (2 Coríntios 1.12). Assim, não somente salva, mas também capacita.

O alvo da graça é glorificar “o nome de nosso Senhor Jesus”, e nós nele, ao efetivar todo bom propósito e toda boa obra (2 Tessalonicenses 1.11-12).

A graça de Deus, que é a mesma da de Jesus Cristo (2 Tessalonicenses 1.12), é essencial, portanto, para nossa salvação, para nossa comunhão com Deus, para nossa esperança eterna. Por isso, cantamos, com toda razão e com muita alegria: “Em nada ponho a minha fé,/ senão na graça de Jesus”.

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Publicado no boletim das congregações em Guarulhos SP, “Amo Jesus”.