de Randal Matheny

carro-familia-feriasDepois de rodar centenas de quilômetros durante as férias, a família descobriu que estava na estrada errada, a qual não levaria ao seu destino.

— Pelo menos estávamos fazendo bom tempo e andando bem na estrada, disse um filho.

Só que não há progresso quando se caminha na direção errada. Assim também não há progresso nas coisas espirituais quando o ensinamento conduz para a perdição.

O crescimento espiritual e a doutrina (ensinamento) andam de mãos dadas. Sem a verdade do evangelho, não pode haver crescimento nas coisas de Deus. Sem o crescimento pessoal, a doutrina é folha seca e morta.

A falsa doutrina acaba na imoralidade. Quando se ensina mal sobre o arrependimento, por exemplo, o falso amor permite que os adúlteros entrem ou permaneçam na igreja.

Sem o estudo da Palavra de Deus, perde a sabedoria das Escrituras e reina a ignorância que causa a destruição (2Pd 3.15-16). Não é à toa que na segunda carta Pedro inicia falando de crescimento espiritual no primeiro capítulo e acaba alertando contra falsos mestres no segundo.

A espiritualidade e a sã doutrina, portanto, não são antagônicas, mas companheiras inseparáveis no reino de Deus.

A falsa doutrina leva muitas vezes também à arrogância. Os falsos mestres se tornam “insolentes e arrogantes” (2Pd 2.10). Necessárias para o crescimento em Cristo, porém, são a humildade, a reverência e a submissão.

O falso mestre fala muito sobre o amor, sobre a graça, sobre a compaixão de Deus, mas nem entende o que é o amor, abusa a graça e toma a misericórdia divina como carta branca para a licenciosidade.

No capítulo 3 de 2 Pedro, o apóstolo alerta contra uma falsa doutrina com respeito à vinda de Cristo. Mais uma vez, Pedro liga a falsa doutrina à imoralidade: os falsos mestres estão “seguindo suas próprias paixões” (2Pd 3.3). Para isso, tem de tirar Cristo de cena.

Mas Pedro responde citando a Bíblia, lembrando os cristãos “das palavras proferidas no passado pelos santos profetas” (v. 2). Ele argumenta contra a lógica falsa quando mostra que o dilúvio desmente a uniformidade do mundo desde a criação (vv. 4-6).

Depois, ele oferece “o mandamento de nosso Senhor e Salvador que os apóstolos (…) ensinaram” (v. 3) com a verdade sobre o fim do mundo, em palavras que lembram muito a linguagem de Jesus (vv. 7-15).

Os que querem crescer espiritualmente, portanto, devem ler a Bíblia e verificar que sua fé está baseada na verdade.

De outra forma, mesmo fazendo bom tempo na viagem, perderão seu destino.
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Publicado originalmente no boletim das congregações em Guarulhos SP, “Amo Jesus”.