Para incentivar a leitura bíblica diária, escreverei a cada semana umas pequenas introduções aos trechos selecionados. Abaixo, a primeira.

Semana 01

Gênesis 1-11

Às vezes chamados de “Os primórdios”, os capítulos 1-11 apresentam vários “gêneses”, ou começos: a criação, a entrada do pecado no mundo, o primeiro homicídio, a primeira família.

Os dois relatos da criação, primeiro pela ordem cronológica e segundo pela ênfase dada ao homem, declaram o poder e a bondade de Deus. O refrão sobre a qualidade da criação (“Deus viu que era bom”) indica que todo ato criador de Deus é para o bem-estar da sua criatura mais importante, o ser humano. O universo é de certa forma antropocêntrico. As estrelas, o sol e a lua, por exemplo, são criados para marcar dias, anos e estações na terra. A terra é habitação humana, feita para ser o palco do relacionamento com Deus e do projeto divino.

Moisés registra a crescente corrupção da humanidade, que nem um juízo do tamanho do Dilúvio consegue estancar. Ao invés de unir-se no serviço a Deus, os homens se juntam para o mal na construção da torre de Babel e, novamente, são castigados. A confusão das línguas e a dispersão dos homens pela terra preparam o momento para a ação redentora de Deus, no chamado de Abrão no cap. 12.

Mateus 1-4

A aparição do Messias é fruto do plano de Deus, manifesto na lista dos ancestrais de Jesus. O anjo e as visões do Senhor orientam José para que, nesse ponto crítico, ele toma as decisões corretas e conduza sua família em segurança. Os preparativos – a pregação de João o Imersor, a imersão de Jesus e sua tentação – colocam Jesus em posição para ensinar, chamar seguidores, curar e, no final, entregar a vida na cruz. Em cada instante, Jesus – aquele que salvará o seu povo dos pecados – é poupado pelo Senhor das más decisões humanas e da ira dos governantes, provando de fato que, como ele é Emanuel, “Deus conosco”, que Deus estava com ele.

Salmos 1-3

O livro dos Salmos é dividido em cinco “livros”: 1-41, 42-72, 73-89, 90-106 e 107-150. O livro tem vários autores, como Moisés (Salmo 90), Davi, Salomão e outros, numa grande variedade de orações, louvores, sabedoria, lamentações e canções. Estes expressam todo o gama do pensamento e da emoção humanas.

Salmo 1. O primeiro salmo serve bem, seja intencional ou não, como introdução ao Saltério. Apresenta as escolhas morais do justo, seu sucesso baseado na meditação da lei e o eventual fracasso do ímpio, tudo porque o Senhor está de olho e recompensa conforme as escolhas de cada um. Este contraste entre o justo e o ímpio marca quase todos os salmos do Livro I.

Salmo 2. Alguns consideram o segundo salmo como parte da introdução do livro dos Salmos, junto com o primeiro, porque (a) somente estes dois não receberam, na Septuaginta, o sobre-escrito como os demais; (b) as bem-aventuranças no início do Salmo 1 (1.1) e no final do Salmo 2 (2.11) formam uma inclusão. Como o rei atacado pelos inimigos, ele teme mais ao Senhor do que aos inimigos e acaba se tornando o que ensina aos outros.

Salmo 3. A oposiçao surge não somente dos pagãos (Sl 2), mas dentro da própria família (Sl 3). Quando Davi fugia do seu filho Absalão, depois deste se rebelar contra o pai e tomar as rédeas do poder (2Sm 15.13-17.22), ele escreveu este salmo pedindo a ajuda do Senhor e expressando sua confiança em Deus contra os inimigos. Davi dorme tranqüilo porque o Senhor o protege. Ele entende sua posição como momento que atinge o povo de Israel (8b) e oportunidade para Deus abençoá-lo.

Provérbios 1.1-2.15

Ao invés de aprender na marra, o livro de Provérbios ensina a “dar valor à sabedoria e aos bons conselhos” (1.2). Assim, aprende-se a escutar a voz da experiência. Esta literatura sapiencial focaliza a prática da retidão pelo justo e as recompensas divinas sobre as escolhas que se faz no dia-a-dia. O tema do livro se encontra em 1.7: “Para ser sábio é preciso primeiro temer ao Deus Eterno” (BLH). Os primeiros capítulos convidam o leitor a adotar na sua vida a sabedoria. Em 1.20-33 a sabedoria é personificada, como se ela fosse uma pessoa clamando para ser ouvida.